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Guamiranga: uma terra de riquezas que vêm do agro

O setor representa mais de 80% da contribuição econômica da cidade

Guamiranga, uma cidade com 162 anos de história. Sua população é de cerca de 10 mil guamiranguenses. É formada por homens e mulheres trabalhadores, honestos, guerreiros, um povo heroico confiante em seu trabalho. O território de 224 quilômetros quadrados abriga colinas e campos verdejantes, é dele que brotam as culturas que impulsionam a economia. O agro representa mais de 80% da contribuição econômica da cidade. Segundo o Departamento de Economia Rural, só no último ano, o setor foi responsável pela geração de R$180,800 milhões.

A família Leite se criou na região da Boa Vista, marido e esposa vêm de famílias de agricultores que dedicaram suas vidas no trabalho nas lavouras. “Sempre trabalhei com agricultura, com erva-mate, com porco por um tempo, e sempre fomos da agricultura. Mais tarde um pouco começamos a lidar com fumo também”, conta Angelo Luiz Leite.

“Eu também trabalhava na lavoura com meu pai, nós éramos uma família grande e os filhos mais velhos trabalhavam para ajudar no sustento da casa”, recorda Ester Leite.

DIVERSIFICAÇÃO DA PRODUÇÃO

O incentivo à diversificação é uma das principais bandeiras do Governo Municipal. Por meio da Secretaria de Agricultura, as mãos que produzem alimentos têm todo o apoio necessário para fazer o que tem que ser feito e conquistar o desenvolvimento.

“Nós atendemos, aproximadamente, nove cadeias produtivas diferentes, desde a assistência técnica, capacitações, orientações, viagens técnicas, estágios. Para atender tudo dentro da necessidade dos produtores. O desenvolvimento rural, na visão da nossa Secretaria de Agricultura, é isso: é uma ação que hoje semeada, possa colher bons frutos seja daqui a 10, 15, 20 anos. Isso é desenvolvimento, não é aquilo que de imediato eu vejo. Mas a mudança que é causada na vida das pessoas e que a gente possa ser um suporte na vida dessas pessoas”, Cristiane Tabarro, secretária de Agricultura.

Historicamente, a agricultura se fortaleceu a partir das plantações de fumo. Hoje, as colheitas são formadas por soja, milho, feijão e hortifrutigranjeiros.

Cleia Pontarolo Leite, primeira-dama de Guamiranga e produtora rural, lembra-se de como tudo começou. “No início da nossa vida nós não tínhamos nada, só uma moto e com a vontade de ter alguma coisa na vida, a gente foi trabalhando junto e crescendo, fazendo dívidas e pagando e graças a Deus, tudo
o que nós temos hoje foi dos nossos braços. Eu também já comecei a fazer a diversificação, temos uma estufa de morango, mas continuamos com o tabaco. O morango é um serviço mais leve e que também tem agradado os produtores e trazido bons resultados”, afirma.

Joceli Borgo é a prova disso. Ela que sempre trabalhou com a plantação de tabaco apostou no cultivo de morango, ampliou as criações e já colhe os frutos da mudança por meio da agroindústria.

“Agora nós temos o morango, a agroindústria e os carneiros que começamos devagar. Também plantamos
mandioca, couve e cebolinha que entregamos para os programas institucionais. Qualidade de vida em primeiro lugar porque nós compramos pouca coisa no mercado, comemos tudo o que produzimos aqui”, Joceli.

Há 15 anos, Marina Kordiak faz o plantio de verduras. A produção que no começo era tímida, cresceu e ajuda a abastecer escolas, feiras e até a Companhia Nacional do Abastecimento, a Conab. “Foi uma coisa muito maravilhosa que aconteceu aqui para nós, porque com o fumo, a gente não pensava que podia parar e esse ano nós já estamos parando, não vamos mais plantar e vamos ficar só com a verdura”, comemora Marina.

PISCICULTURA

Guamiranga é um pedaço de chão encantado que por Deus fostes abençoado. Na terra em que tudo dá, as águas também são promissoras. Há 15 anos, José Carlos Pontarollo decidiu investir na piscicultura. A tilápia criada pelo produtor é vendida para pesque-pagues, restaurantes e supermercados de todo o Paraná.

“A produção nós começamos com dois peixes por metro. Começamos com um tanque e a cada dois ou
três meses, fazíamos um açude. Depois passamos para dois por metro e sempre contamos com o apoio dos técnicos da Emater que dão uma assistência essencial para nós, isso tudo tem muita participação deles também. Um deles, o Paladino, dizia para mim que em cinco ou dez anos tínhamos que ter dez peixes por metro e eu não acreditava nisso. E hoje, nós estamos com dez a doze peixes por metro”, lembra José Carlos.

PRODUÇÃO LEITEIRA

Sustentabilidade, tecnologia e inovação marcam o perfil dos produtores guaraminguenses. Balduíno Breitenbach se dedica a produção leiteira desde os anos 2000 e, a partir, da inseminação do gado garante os melhores animais.

“A partir dos anos 2000 eu comecei a inseminar as vacas fazendo uma genética melhorada e nunca mais parei. Com a inseminação artificial os touros sempre vêm melhor, você sempre vai ter um melhoramento. Hoje, nós estamos com pouco mais de 100 vacas, mas não foi fácil de chegar até aqui”, ressalta Balduíno.

AGRICULTURA

Culturas de cebola e arroz marcam o início das lavouras de Henrique Chiaradia na cidade. Há cerca de 40 anos, ele deixou o plantio convencional e optou pelo plantio direto. Em uma época em que os maquinários eram escassos e o trabalho era o mais árduo possível.

“E com o tempo foi se firmando. É uma marca da qual me orgulho de ter participado, assim como me orgulho de ter participado do primeiro plantio de safrinha de feijão, que aqui não era hábito. O primeiro plantio foi dois alqueires de chão com feijão carioca e colhemos muito bem. No ano seguinte, ampliamos
a área e recebemos visita de muitos produtores da minha geração. Eles vinham, a gente trocava ideia, nós nunca deixamos de passar as boas ideias para ninguém, sempre acolhemos todos que precisavam de alguma informação. A minha preocupação era deixar um legado, um começo para os filhos melhor do
que eu tive, porque eu saí de muita pobreza e fomos marcando de passo em passo, sempre que dava para avançar um pouquinho, nós estávamos felizes”, recorda Henrique.

O saber tradicional combinado com as novas tecnologias potencializa a agricultura, pois os conhecimentos são passados de geração em geração.

“Dentro da produtividade regional nós sempre estamos conquistando uns resultados muito bons. Eu me sinto orgulhoso de ter o pai com a experiência vasta que ele tem, porque dificilmente você encontra uma pessoa que possa orientar e enxergar muitas coisas que, às vezes, a gente não está conseguindo enxergar”, destaca Mauricio Chiaradia.

“Eu amo o que eu faço, graças aos ensinamentos que meu pai passou e a paixão que ele tem por essa profissão”, frisa Murilo Chiaradia.

CAPRINOCULTURA

À medida que o tempo passa, Guamiranga se fortalece e seus produtos conquistam novos horizontes comerciais. Os cabritos do seu Aldevir dal Santos são comercializados desde o interior até a capital do estado, um produto disputado no mercado.

“O cabrito sempre está faltando, eu tenho aqui e vendo todos os dias. No fim do ano, principalmente, eu vendo bastante. A venda é garantida. É uma criação que dá serviço, não vou dizer que seja fácil, você tem que ter vocação. Para quem tem uma pequena propriedade eu acho que é um excelente negócio porque é fácil o manejo dele. Quem quiser começar a criar cabrito se precisar de alguma informação pode me procurar que o que eu sei, estou disposto a compartilhar”, conta Aldevir.

SUINOCULTURA

A troca de experiência, a partilha de conhecimentos e o pensamento em conjunto fazem parte do dia a
dia dos produtores que somam forças para fazer e entregar o melhor sempre.

“A amizade com os demais produtores permite que nós compartilhemos nossos conhecimentos e compartilhamos até a primeira compra para a construção das granjas. Os meus suínos, a maioria, são para
exportação, então a gente fica orgulhoso de poder estar dando essa contribuição não só para o Brasil,
como para o mundo inteiro. Hoje, graças aos avanços e tecnologia aplicada no setor, com menos dias e com menos trato, os porcos estão conseguindo se desenvolver mais. Então a gente vê que vai ser cada
vez mais no mesmo quadro, mais produção, para que não se interfira tanto nas questões ambientais”, afirma o suinocultor Márcio Chiaradia.

GUAMIRANGA: UMA TERRA DE RIQUEZAS

As mesmas mãos que produzem alimentos são as que resgatam culturas, os dedos que fertilizam o solo são os que seguram firmemente seus equipamentos de trabalho, nutrem a terra, produzem alimentos, agregam experiência e depositam identidade naquilo que é produzido.

“Quando a gente fala que Guamiranga é uma terra, realmente de grandes riquezas, de uma enorme diversidade, sim! Desde a agricultura familiar, desde a produção de commodities, com cada detalhe, com cada produto que é aqui produzido, isso é a nossa riqueza. Isso é Guamiranga”, assegura a secretária de Agricultura, Cristiane Tabarro.

Guamiranga, uma cidade com 162 anos de história, um pedaço de chão encantado que por Deus fostes abençoado e que deve florescer ainda mais.

“Guamiranga sempre foi agrícola e continuará sendo, é uma atividade que não para. O Município será um exemplo para os demais, nós temos esse sonho, com essas mudanças já está no trilho e Guamiranga vai crescer muito!”, acredita Angelo Luiz Leite.

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