Da infância no interior à gestão da educação municipal, Elicéia Halatiki Szereda construiu uma trajetória marcada por trabalho, persistência e compromisso com as pessoas
Professora por vocação e atualmente Secretária de Educação de Irati, Elicéia Halatiki Szereda, 46 anos, carrega em sua história as marcas do trabalho desde cedo, da valorização do estudo e da crença de que a educação é a principal ferramenta de transformação social.
Nascida e criada na comunidade de Cadeadinho, no interior do município, Elicéia é filha de Sofia e Pedro Halatiki e a mais nova de uma família de 11 irmãos. Desde muito pequena, trabalhou na roça, principalmente na fumicultura, conciliando as atividades do campo com os estudos. “Cresci entendendo o valor do trabalho e da dedicação. Nada veio fácil, tudo foi construído com esforço”, relembra.
Sua trajetória escolar passou por diversas comunidades rurais, como Cadeadinho, Valeiros, Vista Alegre e Rio do Couro. Em vários momentos, chegou a morar em casas nos fundos das escolas com os irmãos, ajudando a cuidar dos sobrinhos. A docência sempre esteve presente em seu cotidiano. “Minhas irmãs e cunhadas eram professoras, meus irmãos motoristas do transporte escolar. Eu vivia cercada de livros, cadernos e preparo de aulas”, conta. Inclusive, foi aluna de algumas delas, o que fortaleceu ainda mais o desejo de seguir a mesma profissão.
Ainda no ginásio, destacou-se também no esporte. Foi capitã do time de vôlei do Rio do Couro, conquistando três títulos municipais consecutivos e representando Irati em fases regionais. “Foi um período de muitas amizades, que permanecem até hoje”, recorda.
Ao concluir o ginásio, mudou-se para a área urbana, na Colina Nossa Senhora das Graças, onde iniciou o curso de magistério. Para se manter, trabalhou como empregada doméstica e babá. “Foi um período difícil, mas necessário. Eu sabia que o estudo era o caminho para mudar minha realidade”, afirma. Durante esse tempo, realizou estágios em diversas escolas da cidade e, nas férias, retornava à casa dos pais para ajudar os irmãos na colheita do fumo.
Após concluir o magistério, chegou a ser contratada pela Rádio Difusora, mas a sala de aula falou mais alto. O bom desempenho no Colégio São Vicente de Paulo rendeu a indicação para integrar a equipe do Colégio São Pedro Canísio, a convite da Irmã Luisa. Ao mesmo tempo, ingressou no curso de Pedagogia na Unicentro de Irati e iniciou uma nova fase da vida, conciliando trabalho, estudos e casamento.
Elicéia permaneceu por 24 anos no Colégio São Pedro Canísio, período que define como uma experiência marcante. “Hoje encontro meus ex-alunos e suas famílias, e fico muito feliz pelas amizades construídas”, diz. Paralelamente, passou no concurso público municipal, atuando na Creche Anjo da Guarda, na antiga LBA e, posteriormente, na Escola Municipal Olaria Filipaki, onde também exerceu a função de coordenadora pedagógica.
Os desafios ao longo do caminho foram muitos. “O maior desafio foi deixar minha família com apenas 14 anos e construir tudo o que tenho hoje com muito trabalho e força de vontade”, relembra. A vontade de desistir surgiu em vários momentos, choros solitários e dificuldades no ambiente de trabalho. Ainda assim, o foco nos estudos sempre falou mais alto. “Era através do conhecimento que eu via a possibilidade de mudar as coisas e alcançar meus propósitos.”
A maior inspiração de sua vida é a mãe. “Minha mãe é meu exemplo de mulher, uma verdadeira guerreira”, afirma com emoção.
Hoje, à frente da Secretaria Municipal de Educação, Elicéia tem um propósito claro. “Quero tornar as pessoas mais felizes no ambiente de trabalho. Quando o profissional está bem, ele se motiva, se atualiza e transmite isso aos alunos e às famílias”, explica. Para ela, cuidar das pessoas que fazem a educação acontecer é fundamental para garantir um ensino de qualidade.
Ao falar de conquistas, ela resume com gratidão. “Tudo o que aconteceu na minha vida considero uma conquista maravilhosa. Minha família, meu casamento, meus filhos, meu trabalho, meus amigos. Só tenho a agradecer.” Seu diferencial profissional está ligado à forma como enxerga a vida e o trabalho. “Faça o melhor possível com entusiasmo. Seja luz na vida das pessoas. Se priorize, porque só estando bem conseguimos ajudar quem está ao nosso redor.”
Sobre ser mulher na educação, Elicéia observa que a presença feminina é predominante e cada vez mais qualificada. Ainda assim, acredita que o reconhecimento passa pela ampliação de oportunidades. “As mulheres precisam ter mais espaço para mostrar seu potencial. Quando isso acontece, elas surpreendem”, afirma.
Para o futuro, enquanto estiver à frente da pasta, o objetivo é investir em ensino de qualidade, inovação e melhoria da estrutura física das escolas, criando ambientes mais agradáveis e acolhedores. Se pudesse abrir uma porta para outras mulheres, não hesita. “Formação é o que abre todas as outras portas. É a ferramenta da emancipação e da autonomia.”
Às meninas e jovens mulheres, deixa um conselho direto. “Tenham determinação, estudem, busquem formação e persistam. O conhecimento é o único patrimônio que o tempo só valoriza.”
Para Elicéia Halatiki Szereda, ser mulher é motivo de gratidão. É se aceitar, celebrar conquistas e reconhecer o dom da maternidade.
Sua trajetória pode ser resumida em uma frase que traduz sua essência. Muita determinação para começar, persistência para continuar, autonomia para nunca pedir permissão para ser quem se é, com fé em Deus como base de tudo.
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Irati – Paraná















