Desde adolescente, Luciane Cidres, carinhosamente chamada de Lu, sempre gostou de estar ao lado de pessoas mais experientes. Sua família é de Rio Azul e quando sua mãe a chamava para visitar a cidade nos fins de semana, para a filha era o melhor passeio do mundo, pois ficava o dia todo no Lar dos Velhinhos – uma instituição reconhecida de longa permanência para idosos.
“Ali, posso dizer que adotei grandes amigas, as quais eu auxiliava no banho, passava creme, fazia as unhas. Era muito gratificante ver o brilho nos seus olhos e ouvir suas histórias de vida. Uma delas era cega e quando eu chegava não precisava falar nada, eu pegava na sua mão, lhe dava um beijo e ela dizia: é a mocinha de Irati, que bom que você está aqui. Um dos internos era o Simão, que cantava pra mim. Eu ficava muito alegre e agradecia a Deus por aquele dia maravilhoso”, recorda.
O sonho de Lu cresceu por se formar em Enfermagem, porém, com a epidemia de H1N1, em 2009, um tio, muito querido, foi infectado e faleceu. Por ter acompanhado o sofrimento causado pela doença e não querer mais se envolver com esta dor, ela acabou desistindo deste sonho.
“Passado alguns anos, fui trabalhar como empregada doméstica com uma família em Irati. Trabalhei com eles muitos anos e já os considerava como sendo da minha família. De repente, a mãe de meu patrão adoeceu e eu estava ali quando ela veio morar com eles. Parece loucura, mas logo criei uma conexão com essa pessoa a ponto de me dedicar mais a ela. Pelo seu lado ela tinha muita confiança em mim e se colocou sob os meus cuidados”, conta ela.
Esta relação lhe deu mais a vontade de cuidar de pessoas e se doar mais para este ofício. Quando a senhora se foi, Lu conta que sentiu muito a sua falta, entendeu que a amava e agradeceu a Deus por ter estado com ela em seus últimos dias.
“Depois disso, o patrão me aconselhou a fazer o Curso de Cuidadora de Idosos, pois viu como eu cuidava de sua mãe e que eu levava jeito, segundo suas palavras. Pensei, até vou fazer, mas vou dar um tempo pra mim, vou descansar”.
“Fazemos um plano, Deus faz outro e é o Dele que vale. Apareceu, na minha vida, um anjo em forma de pessoa que tornou minha vida mais bela”. Luciane decidiu cuidar dela que, além de ser idosa, machucou o pé e tinha uma ferida aberta que não sarava.
Neste momento, ela compreendeu que havia chegado a hora de se aperfeiçoar e ser, de verdade, uma Cuidadora de Idosos. “Aprendi a fazer curativos, me inscrevi em um curso e passei a fazer parte de uma Equipe de Cuidadores em que adquiri muito aprendizado. Por cuidar de pacientes muito especiais, sofri muito, pois é muito triste você presenciar o último suspiro de alguém, por outro lado é reconfortante escutar de família e amigos que a pessoa, em seu último momento nessa vida, tinha alguém como eu ao seu lado”. A cuidadora menciona a bondade de Deus por ensinar até mesmo com a morte.
“Amo o que faço e busco tudo que está ao meu alcance para que a pessoa, que me foi confiada, se sinta o mais confortável possível. Como ser humano, sei que sou falha e, com certeza, cometo erros, mas quando estou cuidando de alguém direciono todas as minhas forças e o meu carinho para que meus erros se aproximem cada vez mais do zero”.
Lu cita algumas frases que ouviu ou que leu e leva em seu coração, especialmente quando está cuidando de alguém: “Respeitar a pessoa idosa é tratar o próprio futuro com respeito”; “Ser idoso é um privilégio que a nossa geração provavelmente não terá”; “Com mãos frágeis e olhos que carregam toda a sabedoria do mundo, os idosos iluminam nosso caminho com sabedoria de outros tempos”; “Não há livro no mundo que contenha a sabedoria de um idoso”. A cuidadora aprende muito com os idosos e gostaria de poder dedicar mais tempo a eles. Contudo, tem seu trabalho de diarista, o qual se orgulha muito, pois foi por meio desta profissão que ela conquistou a amizade e a confiança das pessoas.
“São essas amizades que me indicam para cuidar de pessoas acamadas e de idosos que tanto amo. Sou muito grata a Deus por ter me capacitado e me iluminado e por me permitir aprender sempre. Para finalizar, é importante que as pessoas entendam porque os idosos, muitas vezes, precisam de Cuidadores. Idosos são pessoas vulneráveis a certa situações que precisam ser auxiliados. É claro que também os mais novos podem precisar de cuidador, devido a uma incapacidade temporária que pode vir com uma doença ou uma fratura”, destaca Luciane.












