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CARLA QUEIROZ: “Assim como todas as mulheres, eu tenho muitas versões de mim mesma”

A Carla é esposa da Jaque, é esportista, é ajudante de roça nas horas vagas, é advogada, e é, sobretudo, extremamente realizada!

Atuando hoje como Procuradora Geral do Município de Irati, Carla Queiroz percorreu um longo caminho até chegar ao cargo que ocupa. Desde muito pequena, crescendo no município de Inácio Martins, ela teve o incentivo dos meus pais para “pensar fora da caixa, como descreve. “Eles sabiam que eu não me adequava muito aos padrões e que minha mania de questionar (quase) tudo e tentar mudar o que me incomodava não devia ser reprimida, mas sim, encorajada”.

A Carla criança sempre gostou de política, de futebol, de estudar e de tentar, ao máximo, corrigir as injustiças. “Vai ver é por isso que a Carla, já adulta, ainda gosta exatamente das mesmas coisas e acabou tornando-se advogada, na ânsia de melhorar um pouquinho a realidade”, observa ela.

A advogada afirma, com obviedade, que sabe que possui uma posição de privilégio. “Ora, bom seria se todas as crianças pudessem crescer livres. Melhor ainda se fossem estimuladas a seguir os próprios sonhos, independente de qualquer condição e sem que escutassem que essa ou aquela atitude não seria ‘coisa de menina’”.

Inobstante isso, por saber da sua condição privilegiada é que a advogada pensa que tem um dever, ainda maior, de tentar mudar a realidade em que vive, seja por meio do seu trabalho, ou, ainda, da sua vida pessoal, impactando aqueles com quem convive diariamente.

“No decorrer da minha jornada profissional eu, que sempre atuei como advogada nos bastidores da política, não poderia imaginar o quão gratificante e desafiador seria estar na linha de frente, tomando decisões que, por mais simples que possam parecer, podem impactar a vida de milhares de pessoas”, destaca Carla.

Mulheres no poder e na tomada de decisões 

Por isso, a maior realização profissional da advogada foi, com toda a sua certeza, ter a oportunidade de se tornar PGM de Irati. Nesta missão, ela pôde realizar, aos poucos, o sonho de criança de ajudar as pessoas e tentar diminuir as injustiças.

“Pude, como PGM, auxiliar na criação de uma secretaria voltada às mulheres, no desenvolvimento de programas sociais municipais que dão prioridade de atendimento às mulheres mães solo e/ou vítimas de violência e participei de várias outras ações voltadas para nós (mulheres)”, cita ela.

Para além das demandas que são inerentes ao seu cargo, ocupar a procuradoria geral significa ter uma mulher ocupando um espaço de poder, “um local que por anos e anos nos foi negado o acesso simplesmente pela nossa condição de mulher”, enfatiza.

Nesse compasso, a procuradora sabe da importância, não só das mulheres que lhe antecederam neste cargo, mas também da necessidade de se comemorar o Dia Internacional da Mulher para fortalecer a história de luta e de resistência feminina e, quem sabe, inspirar outras mulheres nessa luta pelo coletivo.

“Sempre menciono que ser mulher é um ato político. Se viver requer coragem, viver na nossa sociedade como mulher, requer ainda mais coragem. E não é que a nossa sociedade não esteja evoluindo. Muito pelo contrário, hoje o mundo é um lugar muito melhor para se viver”. 

No entanto, para a advogada, ainda há muito para transformar. “Há muitos espaços para conquistarmos. Não digo só de lugares na política, mas em relação ao nosso próprio ser e controle dos nossos corpos – como sobre a desnecessidade de termos que explicar porque não queremos ter filhos; ou porque queremos ter filhos aos 40”. Portanto, ela observa que, se pra ser homem é só preciso existir, para as mulheres é preciso que resistam.

“Precisamos resistir em cada uma das nossas versões, já que todas elas nos tornam quem somos, nos vários turnos e contraturnos da vida de cada uma. E é só assim, fortes nas nossas verdades e versões, é que poderemos ajudar e encorajar outras mulheres ao nosso redor”, ressalta Carla.

 

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