Além das conquistas pelos direitos das mulheres, é necessária a presença feminina para as discussões de políticas públicas.
Qual a importância desta data para você, como mulher?
A data do dia 08 de março vem para reconhecer as conquistas sociais, políticas e culturais das mulheres, para celebrar uma longa história de luta e de conquistas por direitos. Para mim, é um momento de reflexão e gratidão por todas aquelas que buscaram dias melhores para todas, mas também um momento de conexão com a luta, de entendermos a necessidade de continuarmos buscando uma sociedade com igualdade de gênero, em que mulheres sejam respeitadas, que possam fazer suas escolhas sem serem julgadas, que tenham oportunidades de desenvolverem suas potencialidades nos espaços públicos, nas suas profissiões, uma sociedade em que a mulher nao seja morta por não querer mais continuar num relacionamento. Esta sociedade, infelizmente, ainda nao é uma realidade, mas é por ela que devemos lutar diariamente .
Quais desafios você enfrenta para equilibrar as demandas de seu trabalho com a rotina do dia a dia?
São muitos os desafios, os quais supero com coragem e resiliência. A sociedade cobra de nós, mulheres, que sejamos boas mães, boas companheiras, que cuidemos dos nossos lares, e que, diariamente, provemos a nossa competência no âmbito profissional. Esta cobrança social de sermos boas em tudo, nos leva a um desgaste emocional perigoso. Portanto, é necessária uma rede de apoio, de cuidado mútuo e, acima de tudo, que nós, mulheres, possamos perceber essas cobranças como socialmente impostas, desumanas, e que, a partir disso, possamos nos perdoar pelos equívocos, mais que isso, entender que não temos que nos encaixar nos padrões impostos socialmente, somos humanas e lindas nas nossas imperfeições. É celebrar cada conquista, superar cada deslize com coragem e carinho por nós mesmas.
Qual relação do seu trabalho, do cargo que ocupa, com esta data?
Pensar o Dia Internacional da Mulher e no cargo que ocupo hoje, como gestora da Secretaria de Assistência Social de Irati, remete a importância da presença da mulher na construção de políticas públicas, em especial, ocupando cargos de chefia, de tomada de decisões, visto que, historicamente, cargos de poder de decisão, sempre foram ocupados por homens. Fazer parte desta estatística e ainda ter a possibilidade de mostrar possibilidades para outras mulheres e construir caminhos para as próximas gerações, são um privilégio e uma responsabilidade, pois é necessário pensar e construir políticas para todas a as mulheres, de diferentes classes, etnias e culturas. É sobre pensar a diversidade da mulher na contemporaneidade. E, por este motivo, faz-se necessário termos mais mulheres nestes espaços, para que possamos ser representatividade e não deixarmos nenhuma a margem da nossa sociedade.
É inadmissível o atual contexto, a maioria homens, pensando políticas para mulheres, que são a maioria da população. São eles que pensam e decidem orçamentos para políticas que servem para nossas particularidades. É impossível um rompimento da desigualdade estrutural entre homens e mulheres com este cenário. Outro ponto relevante neste processo é a educação, que é um instrumento de rompimento deste sistema patriarcal, é por meio do estudo que nos empoderamos, que aprendemos a usar nossa voz, a nos posicionar e mostrar nossas potencialidades.
Certamente, a minha formação em Psicologia e as duas especializações em políticas públicas me dão ferramentas para dialogar, buscar espaço e, principalmente, ajudar a construir rumos importantes para o município de Irati, em especial, na área da assistência social.
Orgulho-me muito do espaço que conquistei, que é o resultado de toda minha luta, da minha busca pelo conhecimento e de todo meu empoderamento, do desejo de transformar o mundo e de lutar pelos direitos das mulheres e daqueles que se encontram em situações de vulnerabilidade social. São traços que carrego comigo desde a minha infância, e somado a luta de muitas mulheres que se posicionaram ao longo da história, me deram a possibilidade de estar aqui hoje.
Como a sua pasta, dentro do Poder Executivo, pode ajudar todas as mulheres?
O desafio é sensibilizar, cada vez mais, mulheres a ocuparem cargos públicos. Dentro das políticas públicas, as mulheres estão ocupando espaços, por meio de concursos públicos. No entanto, ainda poucas mulheres atuam como prefeitas, secretárias e direções. E, dentro deste espaço, enfrentam situações de discriminação e desrespeito, como assédio moral e/ou sexual e estereótipos de gênero. Além disto, a sobrecarga, entre cuidados domésticos e a profissão, dificulta a participação das mulheres nas organizações. A presença das mulheres em cargos de alta gestão de forma igualitária é essencial para uma mudança de paradigma, é possibilitar que representem os interesses e as perspectivas das mulheres. Esta diversidade é uma questão de democracia, para que o poder público venha ao encontro com as necessidades reais do seu povo, nas mais variadas demandas.
“Embora, as mulheres, cotidianamente, enfrentem desafios relacionados aos aspectos históricos, sociais e culturais, é importante que sejam resilientes e ocupem, cada vez mais, espaços que antes eram reservados apenas para homens.
É necessário que a mulher vá à luta, mas que possamos entender esta luta, como uma luta coletiva, que não é sobre o sucesso de uma, mas de toda. É sobre o empoderamento feminino, por uma sociedade para todas, com transformações no ambiente profissional, com a diminuição da desigualdade que ainda existe no mercado de trabalho. Em especial, no setor público, ocupando cargos no Executivo, como prefeitas e secretárias, no Legislativo, como deputadas, senadoras e vereadoras, pois são estes cargos que constroem e decidem sobre políticas púbicas para nossa sociedade. É uma questão de representatividade e de mudança de perspectiva”.
Psicóloga, concursada na Prefeitura de Irati, atualmente ocupando o cargo de Secretária de Assistência Social do município
Formação:
Psicologia pela Universidade Estadual do Centro-Oeste (Unicentro)
Especialização em Psicologia e Políticas Públicas, pela Unicentro
Políticas Públicas e Socioeducação pela Universidade de Brasília (UnB)













