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INOVAÇÃO: Procedimentos de neuromodulação para tratamento da dor são realizados pela Santa Casa de Irati

Aparelho é implantado na medula espinhal do paciente

Os primeiros estimuladores medulares, sem gerador, implantados no Sul do Brasil, foram realizados pelo serviço de Neurocirurgia do hospital

Quando as terapias convencionais, baseadas em medicamentos e outras áreas adjuvantes, não apresentam mais eficácia para o alívio da dor, ainda é possível recorrer a tratamentos que melhoram a qualidade de vida e proporcionam alívio.

Entre as opções existentes, ainda pouco divulgadas aos pacientes, é a estimulação medular espinhal (EME). De acordo com o médico neurocirurgião da Santa Casa de Irati, Tiago Gonçalves Rosa, o estimulador medular é um dispositivo que auxilia no tratamento de dores crônicas. “É indicado aos
pacientes com dor neuropática crônica nas costas e nos membros (braços e pernas), provocada por doenças como diabetes mellitus, herpes-zoster, câncer e até traumas.

O que é o estimulador medular

Tiago explica que o aparelho funciona da mesma forma que um marca-passo, dispositivo colocado no
coração, com a diferença de que o estimulador medular fica em outra região que, neste caso, é a medula espinhal do paciente. O objetivo dele é auxiliar no tratamento de pacientes que sofrem com dores crônicas severas. “O aparelho é destinado a pessoas, nas quais, os tratamentos tradicionais não
funcionaram, como quem passou por uma ou mais cirurgias na coluna, sem melhora da dor”. Segundo ele, há também outras situações, como lesões do sistema nervoso, neuropatia diabética (degeneração dos nervos), hérnias, entre outros.

“Não é uma cura e, sim, mais um método de tratamento, embora alguns pacientes tenham respostas fantásticas a ponto de ficarem livres da dor”, explica o médico especializado em dor, membro da Sociedade Brasileira de Estereotaxia e Neurocirurgia Funcional (SBENF) e da Sociedade Brasileira de Neurocirurgia (SBN).

Implante do dispositivo e como funciona

A técnica se dá pelo implante de um eletrodo sob a pele do paciente, durante um procedimento, ligado a um gerador posicionado na medula que, por sua vez, emite correntes elétricas responsáveis por impedir a transmissão dos sinais de dor. Ele consiste em uma bateria, chamada de neurogerador ou neuroestimulador, que é conectada com um ou mais eletrodos. São eles que levam a corrente elétrica, a partir dos estímulos programados, até o sistema nervoso.

“Desta forma, ele consegue ‘enganar’ esta dor, bloqueando-a, pois gera estímulos elétricos e, com isso, consegue driblar o sistema nervoso: o estímulo vindo dessa parte lesada é bloqueado pela estimulação elétrica do aparelho”, detalha o neurocirurgião da Santa Casa.

Depois que é implantado, o médico cria algumas programações para cada ‘tipo de dor’ do paciente. Em casa, a pessoa pode ir escolhendo, a partir de um controle, o estímulo que precisa, dependendo da dor que está sentindo no momento.

Como é feita a indicação

Para fazer o uso deste aparelho, Tiago ressalta que é necessário fazer uma avaliação com um especialista e a terapia deve ser realizada seguindo diretrizes específicas para liberar o procedimento, elencadas pela
Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS).

Os pacientes devem:
•Ter diagnóstico de dor neuropática, ou seja, relacionada com lesões no sistema nervoso
•Ter tratado o problema por, pelo menos seis meses, com fisioterapia e medicamentos, de forma contínua
•Apresentar relatório médico e do fisioterapeuta mostrando que o tratamento não teve sucesso ou que teve apenas uma redução de 50% da dor, no escore VAS (escala que mede a dor da pessoa)

Dr Ladislao Obrzut

Provedor da Santa Casa de Irati

“A Santa Casa de Irati vem, através dos anos, colocando-se na vanguarda do atendimento e de procedimentos na área de saúde. Com a presença do doutor Tiago, esta atividade vem tornando-se realidade, como este implante para combate da dor crônica, uma de suas utilizações. Como sabemos, o tratamento clínico traz algum resultado, mas em alguns casos, não se obtém efeito satisfatório.

Como foi dito, esta nova técnica de implante vem se mostrando como mais uma arma no arsenal do tratamento. Neste ponto, a Santa Casa de Irati está aberta e demostrando que pode, e em toda a estrutura, estar muito bem integrada às novas terapias e técnicas, para o tratamento e acolhimento mais humanizados no alívio dos problemas clínicos apresentados pelos nossos pacientes.

Sendo assim, vale lembrar que, apesar das dificuldades, estamos prontos para inovar e manter um alto nível de medicina em nossa região, com toda a equipe de colaboradores e médicos”.

A vida com o estimulador

Os pacientes relatam que, após o implante do estimulador, a vida foi voltando ao normal sem dor. Estudos mostram que o aparelho é eficiente. Em um deles, publicado em 2014, no periódico Neuromodulation, o resultado mostra que essa neuro estimulação para dores crônicas é segura e eficaz nas condições citadas nesta reportagem.

Um outro estudo, publicado na revista Pain Practice, demonstrou que reduzir o tempo de espera é fundamental para o sucesso do tratamento com o estimulador. Os resultados, publicados em 2014, mostraram que a taxa de sucesso do tratamento é de 75% para pacientes que esperaram menos de dois anos pelo implante.

Imagem de um procedimento cirúrgico, que mostra o posicionamento dos eletrodos de estimulação implantados na coluna do paciente

Os participantes que tiveram de esperar 20 anos, após início da dor para colocar o implante, apresentaram 15% de sucesso. Por isso, os pesquisadores reforçam que os médicos devem encaminhar esses casos, precocemente, a um especialista assim que a falha no tratamento se tornar aparente.

Quem usa, diariamente, explica como funciona. “Logo no começo, fazemos um teste e o aparelho tem a
opção de gravar várias frequências. Ao lado do médico, testamos alguns estímulos e gravamos. Com o controle, posso mudar: se não estiver resolvendo a dor, troco para outro estímulo”, conta a paciente, Helena Gardaz.

Ela passou anos sofrendo de uma dor crônica, muito forte, devido a uma hérnia de disco lombar. “Sentia muita dor e já tinha feito diversos tratamentos, cirurgia, tratamento com remédios, fisioterapias, e nada resolvia. O caso mostra como o tratamento vem quase como uma última opção, quando nada mais resolve.

Existem outros métodos, como a colocação de bomba de infusão intratecal de medicação, mas cada caso
deve ser avaliado, para análise e se, de fato, tem indicação de implantação, de acordo com o doutor Tiago.

Dr Tiago Gonçalves Rosa

Médico neurocirurgião da Santa Casa de Irati

Informe publicitário publicado na Ed. Especial de Saúde #07 da Revista Gente.

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