Maria Luiza, Louriane, Mariane e Loureci Oliveira Carraro: Determinadas, decidiram embarcar no desafio do empreendedorismo!
As mulheres da família Carraro nos enchem de orgulho. Por isso, te convidamos a dedicar alguns minutos do seu dia para conhecer um pouco da história dessas quatro mulheres.
A família natural de Rio Azul tem suas raízes na comunidade de Faxinal dos Paulas, interior do município. Maria Luiza, Louriane e Mariane são filhas de Loureci. Todas nascidas na roça, Maria e Mariane trabalharam por muito tempo na Fumicultura. Mais tarde largaram o trabalho do campo para dedicarem-se aos estudos. Maria é formada em Química, atuou por dois anos na área da educação, e ao mesmo tempo voltou para a planta de tabaco por um período, assim conciliando as duas atividades. No início de 2020, devido às dificuldades trazidas pela pandemia de Covid-19, decidiu encerrar a carreira como professora. “Eu dei aula dois anos pela rede estadual e desisti depois por causa da pandemia, porque estava muito complicado para os professores darem aula. Eu não tinha muita experiência em sala de aula e no estudo remoto pra mim foi bem complicado”, conta. “Eu não pretendo voltar para sala de aula. Estudei, não me arrependo, mas não quero mais”, diz. Antes de exercer a licenciatura, ela também trabalhou como manicure e babá. Já Mariane, formada em História, lecionou durante um ano na rede estadual de ensino através de PSS, e em seguida também colocou uma pausa na sua carreira.
A fumicultura é uma atividade difícil, pois é bastante exigente em termos de força de trabalho e a saúde dos produtores é exposta a riscos, além da questão da desvalorização, entre outras dificuldades. Todas essas intempéries pesam na decisão de parar ou continuar nesse ramo, o que acontece também com a família Carraro. Motivados pelo desejo de melhoria na qualidade de vida, Maria Luiza juntamente com Mariane e seu esposo, decidiram abrir em sociedade a Frutaria da Família. A ideia do negócio veio quando perceberam um espaço em Rio Azul nesse segmento. “A gente via que tinha muita loja de roupa, muita lanchonete, e era uma opção financeiramente viável de preencher um espaço”, explica Maria.
Desde seu início a Frutaria apostou em inovação, tentando driblar o período pandêmico que se iniciava. “A gente tentou entrar com uma coisa diferente, até porque que a gente abriu um pouquinho antes de vir os decretos da pandemia. Abrimos no dia quatorze de abril do ano passado. Quinze dias depois que a gente abriu veio os decretos. E daí tentamos fazer uma coisa diferente, a gente faz entrega em domicilio que era uma coisa que não tinha ainda (em Rio Azul)”, conta ela. Além das entregas, elas apostaram também na venda de assados aos domingos na frutaria.
Loureci e Louriane ainda trabalham com tabaco, mas a intenção é diminuir gradativamente a produção. E daí surgiu também a ideia da Agroindústria da Família, um projeto ainda em andamento, onde as quatro mulheres são sócias. “No inverno do ano passado para nós foi bem difícil, era o começo nosso. Um dia estávamos na frutaria, era um dia bem frio e não tinha nada de movimento, aí começamos a pensar o que nós poderíamos fazer para os dias que não tinha movimento. E muita gente perguntava o que nós tínhamos de caseiro, por sermos do interior. (Os clientes) perguntavam se não fazíamos bolacha caseira, pão caseiro no forno de tijolo. E aí tínhamos duas opções. Abríamos na cidade algo específico para panificação, que seria uma panificadora, ou a gente abria uma agroindústria, que é até uma forma de ajudar a mulher do campo né. E daí entramos com esse projeto né, atrás de custeio para montar essa cozinha lá no interior. Porque era mais viável montar uma agroindústria lá no interior do que tentar modificar a frutaria para uma padaria. E também era uma forma de inserir a mãe e a minha irmã mais velha. Pois, como paramos de plantar fumo para abrir a frutaria, eles diminuíram lá também porque trabalhávamos todos juntos. Pensamos nelas para poder ter outra renda né, que a tendência é diminuírem mais ainda o fumo”, conta. Para as mulheres Carraro cozinhar é um ato de amor, e Maria orgulha-se em dizer que as massas são verdadeiramente caseiras. “Produtos caseiros de verdade, a gente não usa nenhum tipo de melhorador, nem nada”, enfatiza.
De acordo com ela falta pouco para a agroindústria dar início à comercialização dos produtos. “Agora falta a gente montar a etiqueta e pedir as embalagens para estar tudo certo. Aí nosso produto estará pronto para ser vendido em qualquer lugar da cidade, estado, fora, onde quiser. Esse é um projeto das mulheres da família para suprir uma demanda que a própria população pedia. Está em andamento, e logo mais vai estar disponível atendendo Rio Azul e região”, ressalta.
Existe um monstro que se arrasta por séculos nas sociedades, e ele se chama machismo. Somos afetadas por ele cotidianamente, no trabalho, no ambiente familiar ou na vida social. As empreendedoras relatam já terem sofrido com isso. “Já teve várias situações de clientes e fornecedores – não por coincidência homens- que vêm até a Frutaria e perguntam pelo ‘chefe’”. Mas para as empreendedoras, é importante que as mulheres não deixem episódios como este apenas passar, é importante repreender.
Sobre a data especial pela qual dedicamos esta edição do jornal, elas a descrevem sabiamente. “O dia Internacional da Mulher nos faz lembrar da beleza e da grandiosidade de tudo aquilo que é feminino. Essa data pede uma parada, para que além de uma luta diária para sermos vistas, olhemos para nós mesmas e nos enxerguemos como grandes mulheres que somos. Hoje empreendedoras só estamos, graças à soma de conquistas e anos de lutas feministas que nos proporcionaram uma realidade diferente, mas a luta ainda não acabou, buscamos a cada dia nosso espaço. Vemos o dia 08 de março, sim como uma data para se comemorar, mas muito além disso – refletir. Refletir sobre tudo que já conquistamos ao longo dos anos e o que ainda temos para conquistar. Buscamos a valorização da mulher, e essa é uma luta diária. Tanto na frutaria e, faremos também na agroindústria, o que estiver ao nosso alcance para mostrar que nós mulheres somo fortes e corajosas para buscar nossos objetivos. Temos fornecedores mulheres e no nosso negócio tratamos todos no mesmo pé de igualdade, pois não queremos fazer da mulher um ser superior, mas igual perante a sociedade”, finaliza.
“No nosso núcleo familiar, a mulher sempre teve vez e voz, e as decisões são tomadas em conjunto. Graças a isso nossa família gerou mulheres corajosas, determinadas e sonhadoras. Com orgulho viemos da roça, mas além disso, nos orgulhamos do empreendedorismo feminino que nos estimula cada dia a crescer. A nossa história se repete em outras áreas da nossa cidade, isso nos traz uma alegria imensa. Pois Rio Azul é uma cidade de mulheres fortes e empoderadas.”
A Frutaria da Família fica localizada na Rua: Ivaí Martins, 167 – Rio Azul/PR
(42) 9 9874 0970


















