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Revista Gente

Coragem, propósito e a força feminina na política

Desde muito cedo, Sybil Dietrich aprendeu a observar o mundo com inquietação e senso crítico. Nascida e criada em Irati, no Paraná, ela cresceu atenta às desigualdades sociais, econômicas e de gênero que atravessam a vida cotidiana. Ainda criança, já se envolvia com as questões do seu entorno e, na adolescência, ocupava espaços de liderança na escola e no esporte, sempre com opiniões firmes e posicionamentos claros. “Desde muito nova, ainda criança, as injustiças sociais sempre me chamaram atenção. Aquilo me inquietava e despertava em mim o desejo de fazer algo com impacto coletivo”, relembra.
Sybil chegou a iniciar a graduação em Educação Física, mas foi na Psicologia que encontrou o campo ideal para compreender o comportamento humano e as estruturas sociais. O desejo de transformar a realidade, no entanto, ultrapassou os limites da atuação individual. “Eu sempre quis mudar o mundo, fazer algo que tivesse impacto na coletividade. Foi quando entendi que conseguiria fazer isso através das políticas públicas”, afirma.
A partir dessa compreensão, especializou-se na área, concluindo duas pós-graduações em políticas públicas, com atuação nas áreas da saúde, assistência social e educação. O caminho profissional ganhou um novo contorno em 2017, quando aceitou o convite do então prefeito Jorge Derbli para assumir a Secretaria Municipal de Assistência Social. O que inicialmente parecia um desafio se transformou em um ciclo de quase oito anos de trabalho intenso e resultados expressivos.
“Aceitar o convite para ser secretária de Assistência Social foi o pontapé inicial dentro do espaço político”, conta. Durante sua gestão, Irati alcançou reconhecimento estadual. Sybil foi avaliada pelo Tribunal de Contas como a gestora de Assistência Social com a nota mais alta do Paraná, tornando o município referência em todo o estado. Também recebeu reconhecimento da Assembleia Legislativa do Paraná como gestora modelo em políticas públicas para a pessoa idosa.
Entre suas principais conquistas está a criação da Secretaria da Mulher, da Criança e da Pessoa Idosa, instituída em 2023. Além de idealizar a pasta, Sybil foi responsável por estruturar departamentos, organizar ações e consolidar políticas públicas voltadas à proteção e ao cuidado. Por nove meses, acumulou essa função com a Secretaria de Assistência Social, ampliando o alcance das iniciativas.
Em abril de 2024, afastou se do cargo para concorrer ao legislativo municipal. A eleição para vereadora marcou o início de um novo capítulo. Em 2025, assumiu o mandato e foi nomeada procuradora da mulher da Câmara Municipal de Irati. Na função, atua na defesa dos direitos femininos, no recebimento e encaminhamento de denúncias de violência e discriminação, na fiscalização de políticas públicas voltadas à igualdade de gênero e na promoção de campanhas, estudos e ações de conscientização.
“Ser mulher na política é matar um leão por dia. É ter que provar a competência constantemente e não deixar abafarem a nossa voz, mas também é poder contribuir com uma visão feminina para a construção de uma Irati mais justa e humana”, afirma.
Ao falar dos desafios enfrentados ao longo da trajetória, Sybil não romantiza o caminho. Preconceito, assédio e discriminação fizeram parte de sua vivência, experiências que, segundo ela, ainda atingem mulheres e meninas diariamente. Para enfrentar essas violências, a estratégia sempre foi o posicionamento firme, a busca constante por conhecimento e o fortalecimento das redes de apoio entre mulheres. “O apoio mútuo é fundamental. Nenhuma mulher caminha sozinha”, reforça.
Sua inspiração vem da família. As duas avós, o pai, a mãe e um tio tiveram papel decisivo na formação de seus valores, ideais e condutas. Mesmo sem referências políticas diretas no núcleo familiar, foi na infância que se consolidaram os princípios que hoje orientam suas decisões públicas. Como vereadora, seu propósito é contribuir para a construção de uma Irati acolhedora, segura e com oportunidades para todas as pessoas, respeitando diferenças sociais, culturais, religiosas e de gênero. Para ela, equidade não significa oferecer o mesmo para todos, mas garantir condições reais para que todos tenham as mesmas chances de participação e permanência.
“O maior desafio ainda é mudar a forma como enxergamos o mundo. O machismo é estrutural e está enraizado nas instituições. Promover equidade exige transformar esse sistema, não apenas cumprir regras no papel”, analisa.
O futuro, em sua visão, passa pelo fortalecimento das políticas públicas de saúde, educação, desenvolvimento social e, sobretudo, pela ampliação da presença feminina nos espaços de poder. Se pudesse abrir uma porta para outras mulheres, colocaria atrás dela duas palavras essenciais: respeito e oportunidade.
Para meninas e jovens mulheres que sonham em seguir o caminho da política, Sybil deixa uma mensagem direta. “Nós precisamos de mulheres na política. Sigam firmes, com coragem, acreditem nos seus potenciais, busquem conhecimento e diálogo. Respeitem-se, acolham-se e apoiem outras meninas.”
Para ela, ser mulher é uma experiência plural, construída diariamente entre força e sensibilidade, razão e intuição. Uma identidade que não cabe em estereótipos. Neste Dia Internacional da Mulher, sua mensagem ecoa como um convite coletivo. “A mulher tem que estar onde ela quiser, da forma como desejar, sendo respeitada em sua diversidade. Sonhar grande e transformar o mundo é um direito nosso.”
A trajetória de Sybil Dietrich pode ser resumida em uma frase que traduz sua essência e seu compromisso com o coletivo. Coragem e propósito derrubam barreiras, constroem pontes e transformam sonhos em realidade.

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