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Colônia Gonçalves Junior – Os primeiros imigrantes

O ano era 1908. O Brasil necessitava de mão de obra para substituir a mão-de-obra escrava. Assim, com a estimulação do governo brasileiro aos governos dos países europeus, que estavam em ebulição com diversos conflitos, vieram os corajosos imigrantes.

O cenário poder-se-ia dizer ser um sertão, muita mata e com terras dobradas, no interior do estado do Paraná.

Os imigrantes do velho mundo despendiam mais de um mês viajando, de navio, de trem, de carroça e a pé até chegar ao destino prometido e sonhado, buscando melhores dias para seus familiares.

O destino era localidade de Gonçalves Júnior, antes conhecida apenas como Barra Mansa. Teve seu nome alterado em homenagem a Joaquim F. Gonçalves Júnior, engenheiro contratado pelo governo para demarcar as terras a serem ocupadas pelos colonos.

A colônia de Gonçalves Júnior se formou após a chegada de diversos grupos étnicos. Os primeiros grupos de imigrantes que chegaram eram vindos da Holanda no ano de 1908. Em 1909 chegaram os alemães e em 1910, os ucranianos, poloneses e austríacos. (Wikipédia)

No ano de 1909, a colônia foi visitada pelo sexto presidente do Brasil, senhor Afonso Pena, que nesse mesmo, ano faleceu.

Cada família holandesa recebeu do governo brasileiro 10 alqueires de terra, sementes e algumas ferramentas. O combinado era pagar o governo em uma década. No início as famílias até receberam alimentos, mas depois precisaram viver da subsistência. Os colonos vieram pobres e não tinham condições de realizar investimentos. Encontraram diversas dificuldades, pois tiveram que derrubar a mata para poder plantar. Após a limpeza da terra, queimavam, e após a queimada plantaram milho, feijão e batata. 

Os estrangeiros encontraram adversidades como falta de infraestrutura, matas fechadas, doenças da região, animais selvagens, que resultaram, muitas vezes, na separação dos habitantes no local. Muitas mulheres e crianças morreram na localidade o que desmotivou as famílias a continuarem na colônia. Algumas famílias migraram para outras localidades, entretanto outras resolveram persistir naquela região, que acabou recebendo imigrantes de outras etnias, o que contribuiu para que pudessem prosperar.

Plantavam “no toco” ou “coivara” (sistema de plantio que ocorre, após a roçagem e queimada e com restos de tocos de árvores que não permitiam entrada de arados), pois não possuíam arado e utilizavam carros de bois. As lavouras eram de centeio, milho, trigo e feijão, depois de 1925 veio a batata.

As primeiras famílias de imigrantes holandeses foram: Bankersen, Barendrecht, Haagsma, Hennipman, Intema, Van Kranenburg, De Laat, Van der Laars, Van der Neut, Rietkerk, Van Rijn, Smouter, Verhagen, Vink, Van Tienen, Vierschoor, Vriesman, Van de Waal. (Imigrantes – História da Imigração Holandesa nos Campos Gerais, 1911 – 2011. A Colônia de Gonçalves Junior – Irati PR: A Imigração Holandesa de 1908 – 1909 no Brasil – Ruth Kiewiet, Willem Kiewiet).

Em 1910, a colônia de Gonçalves Junior tinha 242 famílias, sendo 132 da etnia alemã, 104 da holandesa, quatro austríaca, uma belga e uma suíça. A religião em Gonçalves Junior exercia um papel fundamental. Eram cristãos, contudo, divididos em vários grupos como:  de católicos (greco-católicos ucranianos e romanos), ortodoxos ucranianos e luteranos. Cada grupo construiu sua própria igreja – havendo quatro templos – sendo a Igreja Ucraniana São Pedro e São Paulo (Greco-Católica), Igreja Santo Estanislau (igreja latina), Paróquia Santos Apóstolos Pedro e Paulo (Ortodoxa Ucraniana) e Igreja Bom Pastor (luterana).

Narra dona Julieta Maneira Brandalize, com 81 anos de idade e moradora do local há 61 anos, que eram em duas irmãs que casaram com dois irmãos. A família tinha bodega no local e também lidava com lavoura de feijão, milho batata e cebola. Em 1972 implantaram granja de suínos e de frangos. Conta, ainda, que o local possuía dois clubes sociais, cartório de registro, o moinho do seu Ernesto Barbi e uma banda alemã. “Nos bailes os homens só podiam entrar de gravata. Certa vez meu pai, Fioreto Maneira, veio do Rio do Couro para um baile na colônia e foi barrado por estar sem gravata. Foi até sua carroça e pegou os panos que amarravam os sacos de batata e improvisou uma gravata para poder bailar”. 

Fala, também, que não raras vezes nos bailes e no armazém de seu marido, David Brandalize, ocorriam umas brigas. “Uma tarde, na bodega, teve uma peleia entre duas pessoas do Arroio Grande. O João Vermeio e o Chico Stepka também discutiram na bodega, já meio alterados pela bebida. Seu Chico adorava a música Tá de mal comigo, e pediu para tocar na vitrola do bar. Quando o Vermeio, para debochar do Chico, começou a dançar ao som dessa moda. E, não é que o Vermeio sofreu um ataque do coração e caiu morto. Depois disso, cada vez que o Chico ouvia essa música se colocava a chorar”. 

Conta dona Julieta que ouviu a estória do porquê do nome da Serra da Noiva, assim: “haviam duas irmãs que iriam casar, uma com um descendente polaco e outra com um caboclo de cor negra. A família não via com bons olhos que o rapaz negro entrasse na família, mesmo assim os dois casamentos ocorreram no mesmo dia. A mãe abençoou uma filha e a outra não. Na volta da cidade de Irati para os festejos na colônia, convidados e noivos vinham em cima da carroceria de um caminhão. E, não é que na serra o caminhão tombou e só morreu a noiva casada o rapaz negro. Assim, a serra foi batizada de Serra da Noiva. De festa o dia virou para um velório”. 

Segundo dona Julieta Brandalize as famílias mais antigas que ainda residem no local são: Ducat, Gutervil, Stepka, Brandalize, Boazenko, Grocholski, Bora, dentre outras.

Em conversa com o senhor Eugênio Stepka, com 85 anos, nasceu na vizinha localidade de Volta Grande, mas desde criança mora na colônia de Gonçalves Junior, contou sobre a invasão de gafanhotos, no ano de 1946. “Eu era criança, com 11 anos, quando isso ocorreu. O dia virou noite, não se enxergava o sol de tão grande a nuvem de gafanhotos. Nós estávamos brincando em frente ao grupo escolar e a professora pediu para entramos na escola, pois a invasão estava iniciando e foi catastrófica. No início da invasão os moradores batiam latas para tentar espantar os insetos, mas pouco adiantava. Essa praga devastou todas as plantações. Botavam ovos por todo o canto. Ficava no chão uma grossura de um palmo de gafanhotos. O governo pagava para juntarmos os ovos em litros que depois eram queimados. Os moradores recebiam dois litros de querosene para o combate e vinha um caminhão com lança-chamas para queimar a bicharada. Foi uma grande crise de alimentos naquela época”. 

Disse ainda, que o local tinha quatro ferrarias, armazéns de compra de cereais e quatro moinhos. O local tinha muito mais movimento do que hoje.

Hoje, o distrito de Gonçalves Júnior é composto pelas localidades de Barra Mansa, Linha Velha, Colônia Gonçalves Júnior, Campina de Gonçalves Junior, Linha C, Linha 5, Linha 13, Linha Ordenança, Alvorada, Linha B de Gonçalves Júnior, Invernadinha, Faxinal do Rio do Couro, Rio do Couro, Faxinal dos Mellos, Cerro da Ponte Alta, Cerro do Canhadão, Volta Grande, Mato Queimado, Coloninha e Faxinal dos da Luz.

A colônia teve dois bons times de futebol o Central e o União. Possui um bom campo de futebol, no centro da comunidade.

A produção agrícola atual é de fumo, soja, milho, feijão e também possui uma forte bacia leiteira. Além de possuir uma excelente fábrica de embutidos da família Brandalize. Também possui uma cooperativa de agricultores denominada de Girassol.

De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), sua população no ano de 2010 era de 3 259 habitantes. (Wikipédia)

O rio Caçador cruza a comunidade e deságua no Rio Preto que pertence a sub-bacia hidrográfica do Potinga.  

O distrito possui vários vereadores: Carlito Ernesto Barby, Walter Berger, David Brandalize Sobrinho, Vladislau Kololuk Stepka, Derci Carlito Barby, Amilton Luis Brandalize, o atual presidente da Câmara Hélio de Melo, Oscar Renato Berger, o atual vereador Wilson Karas, além do ex-prefeito Alfredo Van der Neut. 

A Colônia Gonçalves Junior localiza-se a 18 quilômetros a oeste da cidade Irati. Possui duas escolas, a Escola Municipal dos Colonizadores e o Colégio Estadual de Gonçalves Junior.

É ligada por pavimentação asfáltica até a cidade e na administração do prefeito Jorge foram pavimentadas algumas ruas de dentro da localidade.

Deste lugar, histórico para Irati, poder-se-ia escrever um livro com centenas de páginas.

Dagoberto Waydzik

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